St. James's Park
O fato de o acesso ter ficado bem mais fácil agora contribui mais ainda para eu dizer uma coisa que já estava há tempos para escrever, mas que acabava esquecendo. Nos últimos tempos alguns de vocês - pessoas bem próximas até - têm me enviado e-mails dizendo que "não enviaram mensagens antes pois não queriam fazer eu perder tempo, pois sabiam que eu tinha pouco acesso" e coisas do gênero. Tipo, realmente antes eu acabava não tendo muito tempo de acesso, mas ler os e-mails não é uma coisa que me toma tempo, ler é muito rápido! O que fica mais difícil é responder os e-mails, mas mesmo isso, dentro do possível, eu aos poucos estou conseguindo fazer. Eu sempre leio os e-mails logo depois que eles chegam, para responder é que obviamente demora mais. Por isso, aproveitando que agora tenho mais tempo, queria deixar claro que ninguém precisa se preocupar se está me estorvando - como diria o véio Basso - ou não. Tipo, é só mandar e pronto. Mas que fique claro que são e-mails pessoais né, aquilo que eu tinha pedido a respeito de e-mails com correntes, piadas e ppt ainda está valendo.
Bom, falando da vida aqui. Essa última semana não foi muito boa com relação à bike. Como eu já havia contado na semana passada, parece que diminuiu consideravelmente o movimento nas ruas, e isso nada mais é do que diminuir a quantidade de clientes. Mas mesmo assim ainda está sendo um bom negócio, pois tiro um dinheirinho e me divirto bastante. Acontece muito loucas e engraçadas, mas provavelmente não terá a mesma graça se eu contar aqui; só presenciando pra entender. Acho que vocês devem imaginar um pouco o que é a noite de Londres. Tipo, loucura total. Aqui as pessoas bebem muito, muito mesmo. E droga aqui é muito fácil de comprar, mais fácil que no Brasil. Não falo isso por experiência própria, mas é que aqui os traficantes têm pontos certos de venda no meio do centro. Todo mundo sabe, polícia, todos. Mas não entendo por que fecham os olhos. Tipo, tem no meio do Soho - um bairro no centro - uma ruelinha que é cheia de traficantes, e qualquer um passa lá e eles ficam oferecendo. Lá em Camden Town também é completamente liberado. Daí como tem pessoas de tudo que é lugar do mundo, e essas pessoas tem acesso liberado a tudo que quiserem, imaginem o que não acontece. E eu, como literalmente trabalho na noite de Londres, acabo presenciando tudo.

Minha rickshaw e eu, atrapalhando o trânsito em Piccadilly Circus
Eu disse que as pessoas tem acesso liberado a tudo, mas não é bem assim. Inexplicavelmente a partir das 11 da noite as pessoas não podem mais comprar bebidas alcoólicas nos pubs e nos mercados também. Claro que os clubs e alguns pubs tem autorização pra venda all the time, mas os mercadinhos que ficam abertos durante a noite, incluindo super-mercados 24 horas não podem. Daí eles baixam uma cortininha ou uma grade no expositor que ficam as bebidas alcoólicas e ninguém mais compra. Claro que hecha la ley, hecha la trampa, e alguns desses mercadinhos acabam vendendo na mocó. Mas mesmo assim, e eu não estou exagerando, é mais fácil comprar drogas do que comprar bebidas. A propósito, obviamente não é "inexplicável" o fato do toque de recolher das bebidas, como falei antes, Provavelmente essa lei deve ser muito antiga e deve ter sido decretada pelo rei não sei das quantas quinto ou fulano décimo oitavo. E como tudo aqui é tradição, isso também é. Mas está para mudar agora no final do ano. Parece que já está aprovada ou está para ser votada uma lei que libera a venda, e isso está causando muita polêmica aqui. Discussão entre juristas, psiquiatras e afins. Mais ou menos como no Brasil se discuti a proibição da venda de armas. Duas interrogações bem diferentes de pátrias mais diferentes ainda.
Mas daí eu ia dizendo que se vê de tudo quando todas as raças do mundo resolvem se entregar a alguns pints de uma boa Carling ou Stella, e o resultado é que lá pelas 3 da manhã de um sábado, por exemplo, vê-se gente vomitando, gente caindo de bêbada, gente em coma alcoólico... E os amigos dessas gentes rindo delas, eu rindo de todos e tudo e sendo pago para transportá-las. Legal, né?
Na última sexta-feira fez um friozinho de arrepiar cusco véio. Quando eu estava voltando pra casa, pelas 4 da manhã, com certeza tava uns 10 graus. Mas no sábado já subiu um pouquinho e agora tá uma temperatura legal. Acho que o verão já disse tchau; calorzinho bom como antes, no more.
Domingo eu trabalhei só à tarde e à noite fomos à festa de inauguração do apartamento do Dany, meu primo italiano que veio morar aqui. Tava bala: de brasileiros só eu, o André, o Marcus e uma amiga nossa. O resto todo, estrangeiros amigos do Dany.
E hoje antes da aula nós fomos ao Palácio de Buckingham ter uma audiência com a rainha. Mas como ela não estava lá e tal, e resolvemos simplesmente fazer um tour pelo palácio. Muito legal! Umas das fotos anexadas é dos fundos do Palácio. E depois da aula aproveitei o meu dia de folga para convidar a galera para ir ao St. James’s Park fazer uma roda de violão. Tava muito tri também. Uma das fotos anexadas mostra eu tocando, e o efeito especial era porque eu estava tocando em cima de uma luz que iluminava as árvores. Difícil de explicar a situação.

Buckingham Palace


Roda de violão no St. James's Park
Por falar em violão, comprei um amplificador! Agora já tenho tudo que preciso para fazer busking (tocar nas ruas), só falta coragem! Fazia um tempo já que eu tava namorando um aqui, dando uma flertada com outro ali. Daí depois de ter ido em muitas e muitas lojas escolhi um lá e comprei. Paguei bem caro, pois para fazer busking é preciso um amplificador com baterias, pois quando se toca na rua obviamente não se tem tomadas disponíveis.
E a última novidade da semana é que começamos os preparativos para o reveillón! Se tudo der certo vamos passar acompanhados da Madame Eiffel, com uma boa francesa na mão. Champanhe francessa, at least. Brincadeiras a parte, falo sério: antes de começar a escrever este e-mail eu estava vendo o preço das passagens aqui com o André, e, se tudo der certo, essa semana ou na próxima compraremos os bilhetes. E daí vou realizar um grande sonho, que é virar o ano embaixo da Torre Eiffel! Au revoir, avec saudadê,
Thomas


