Longe de Casa é um convite para você sentar-se confortavelmente na cabine de uma bicicleta-táxi e se deixar levar pelas ruas de Londres e da Europa. Dando o rumo dessa aventura, um estudante brasileiro de 21 anos que resolve dar um tempo de sua rotina em Porto Alegre e, junto com alguns colegas de faculdade, abrir a cabeça para novas experiências de vida no Velho Mundo. Se você procura um guia de viagens sobre a Europa e Londres, talvez este blog possa lhe ser um bom thriller de aventura. Para quem quer divertidos contos, de repente se depare com boas indicações musicais. E se você é um jovem que também pensa em passar por uma experiência em algum lugar no exterior, o que você encontrará aqui não apenas lhe fará rir ou trará boas dicas turísticas, sobre bandas e cantores: além de informação e entretenimento, os posts deste site aos poucos tentarão lhe mostrar uma outra maneira de enxergar as coisas. A maneira como alguém de 21 anos encara a vida longe de casa: aprendendo sempre.

10 de abril de 2009

37.ª SEMANA: Chaplin, Cambridge e o ônibus rasgando Londres

Agora já passam de 3 e meia da manhã de segunda-feira e vou começar a escrever. O meu horário aqui em Londres é, no mínimo, pouco ortodoxo. Trabalho sempre até tarde, vou dormir tarde e acordo tarde. É simples assim mesmo, nada de diferente e nem descompassado, só um pouco atrasado se comparado às pessoas "normais". Há pouco eu estava vendo o filme Closer; grande elenco: Jude Law, Natalie Portman, Julia Roberts e Cleve Owen. Both Chico e eu já haviamos assistido em outras ocasiões - ainda no Brasil -, mas queriamos ver novamente para prestar atenção nos locais onde foi filmado, pois se passa em Londres. O filme é realmente excelente, boa dica para quem ainda não viu. Mas todos sabem que gosto é gosto né; não quero mensagens raivosas de possíveis decepcionados. É apenas minha opinião.
Mas então acabou o filme e fiquei aqui sem sono e sem muito o que fazer: resolvi escrever. Acho que pela primeira vez escreverei meu folhetim em duas partes. Isso porque hoje - daqui algumas poucas horas - vamos para Cambridge, apenas para passar o dia, turistas mesmo. Então vou escrever agora sobre as coisas que já passaram, e amanhã escrevo sobre o nosso dia em Cambridge.
A semana foi realmente rápida. Muito frio - não adiantou muito festejar a primavera nos meus últimos e-mails -, o que provavelmente repercutiu em poucos clientes. Desta maneira, trabalhei mais nesta semana para ganhar consideravelmente menos que semana passada, quando choveu todos os dias, lembram-se? Pois é, muitos riders costumam dizer que preferem quando chove, pois há mais clientes. Eu cstumava discordar, mas estou revendo meu conceito.

Trabalhando


Pois esta semana Lelê, Chico e eu fomos dar uma volta em Chelsea, elegante e tradicional bairro de Londres. Praticamente apenas residencial e comercial, as pessoas pareciam todas de bem com a vida, sem aquela correria da grande metrópole. Qualquer coincidência com cidade do interior é pura coincidência, estávamos mesmo em Londres. E num dos cafés "à la Paris", mesinhas na rua e tudo - por incrível que pareça isso não é muito normal em Londres -, nos deparamos com Bob Geldof, roqueiro das antigas que foi o maior responsável pelo Live 8, festival-protesto que rolou ano passado ao redor do mundo. Ele inclusive foi por isso candidato ao Prêmio Nobel da Paz, mas acabou não levando. Estou anexando uma foto que tirei do cara.

Passeando por Chelsea


Além de Chelsea, dei mais uma passada no Museu Britânico, mas dessa vez pouparei vocês dos detalhes. Mudando completamente de assunto, muito obrigado pelos e-mails reconfortantes ou informativos sobre a história do meu cartão clonado. Ainda não tenho notícias relacionadas a isso; quando as tiver, manterei-os informados.
Ontem - domingo, agora já é segunda - peguei um programa um tanto diferente e bem legal. Sara - uma amiga italiana - e eu fomos assistir à Filarmônica de Londres tocando ao mesmo tempo em que eram passados dois filmes mudos de Chaplin, um curta chamado Rink, e Tempos Modernos, sua obra-prima. E tava muito bala! Foi num teatro bem moderno que eu nem sabia que existia, chamado Sadler´s Wells, que fica num lugar um tanto escondido, no meio do bairro de Islington. O cara - Chaplin - era realmente muito bom! Para o meu espanto, aquela música bem conhecida, chamada "Smile", gravada por tantas grandes vozes, faz parte da trilha de Tempos Modernos e foi composta por ele. Ou seja, o cara era o ator principal, diretor, roteirista e, como se não bastasse, compositor! Não é a toa que é uma lenda até hoje.
Lembro-me nitidamente do meu vô ouvindo a Natalie Cole cantar Smile, na nossa antiga casa da praia, em Atlântida. Um dia ele me disse que Smile significava "sorrir" ou "sorriso", e essa talvez foi uma das primeiras palavras inglesas que aprendi. No final do filme, depois de Carlitos e sua namoradinha se darem mal várias vezes, a música começa a tocar e ele, apenas com gestos, diz para ela algo como: "Não importa se as coisas dão sempre errado, estamos juntos e isso já é o bastante" Então ele consegue arrancar um sorriso dela e os dois caminham ladeira abaixo, em uma estrada emoldurada por montanhas. Simples assim mesmo. Espero que eu não tenha frustrado alguns, contando o final do filme. Apenas supus que não seriam grandes as chances de assistir dos que ainda não o fizeram. Mas pensei errado, sempre há tempo.
Entretando infelizmente será mesmo difícil ter outra oportunidade de assistir um filme mudo de Chaplin acompanhado ao vivo por uma orquestra. Coisas que Londres propicia.
Bom, vou pra cama, já são 5 da manhã. O ônibus para Cambridge sai as 8:30 de Victoria, o que significa que terei de acordar as 6. Matemática simples: uma hora de sono! Tchau!
Fui e voltei! Neste entrelinhas se passou o dia inteiro, e que dia! Tivemos muita sorte com o tempo: apesar de um pouquinho frio - é fácil descobrir vendo meu casaco quase que polar - o dia estava lindo, sol do início ao fim! Fiquei acordado half an hour na cama até que pegasse no sono e acabei dormindo meia-hora só. Incrivelmente pontual, as 6h o despertador me chamou. Pegamos o coach em Victoria, como previsto acima, e a saída de Londres já foi um show à parte. O ônibus cruzou todo o centro costeando o rio e depois cortou a City, imagens simplesmente emocionantes! Como já disse outras vezes, não estou acostumado em presenciar o período da manhã nesta cidade, dado meus horários loucos. Então atravessar a cidade num início de manhã regado à luz do sol foi algo realmente wonderful. Apesar de já conhecer relativamente bastante o centro da cidade, deixei Londres me tocar mais uma vez.
Mas o destino era Cambridge, duas horinhas de viagem e lá chegamos nós: Chico, as 3 mineirinhas e eu. Passamos o dia lá e a cidade é realmente belíssima. Fundada pelos romanos no ano de não me lembro quando, posteriormente foi o local escolhido por dissidentes da Universidade de Oxford para se estabelecerem e darem seqüência as suas vidas acadêmicas. Criava-se aí, ainda em 1209, a semente para o que viria a se tornar a Cambridge University, umas das mais renomadas universidades do mundo. Esta instituição por sua vez é atualmente dividida em 31 colleges, que funcionam de maneira autônoma, mesmo molde da Oxford University. Caso vocês estejam lembrados, some months ago nós também estivemos passando o dia em Oxford. As cidades são indiscutivelmente muito semelhantes, mas Cambridge me pareceu mais bonita e muito mais simpática. Talvez quando estive em Oxford fosse período de férias, confesso que não me lembro, mas o fato é que Cambridge me pareceu muito mais viva, alegre... Sei lá.
Fizemos um tour a pé de pouco mais de duas horas com um guia local, um Sir muito elegante e atencioso. Vestia uma sóbria gabardine inglesa e ia só nos dando as barbadas da cidade: histórias da criação das colleges, detalhes arquitetônicos, panorama histórico, causos cômicos... Realmente valeu a pena!

Um dia em Cambridge


E então vou lhes contar breves detalhes. Conhecemos por exemplo a Trinity College, a maior e mais conceituada, onde Sir Isaac Newton gastou 30 anos de sua vida. Só essa college coleciona 31 Prêmios Nobel. Também conhecemos um PUB que tem 400 anos - isso no seu prédio atual, pois há indícios de que ali havia um PUB desde mil trezentos e pouco - e que era freqüentado por dois caras chamados James Watson e Francis Crick. Pois foi lá que esses caras, em 1953, anunciaram a descoberta do que chamaram de "Secret of Life", nada a mais do que o DNA.
Bom, eu poderia gastar mais palavras descrevendo o nosso maravilhoso dia, mas trocarei as palavras por muitas fotos, elas talvez falem mais alto. Voltando para Londres simplesmente desabei no banco do ônibus; eram horas de sono atrasadas reforçadas ainda com os efeitos de uma gloriosa pint que havia apreciado no PUB. Acordei com o ônibus rasgando a City mais uma vez, mesmo cenário da manhã com nova iluminação. Era noite e agora os edifícios modernos eram iluminados por seus próprios refletores. Andares inteiros ainda acesos me lembraram aquela cena de algum filme na grande metrópole. O motorista começou a passar pelas estações de metrô e perguntar se alguém queria pular fora. Dessa maneira não fomos até Victoria; Chico e eu descemos em Embankment Tube Station, beira do rio. Ele pegou o metrô e eu queria ir à casa do meu primo, ao lado de Waterloo Station, então atravessei o rio via Jubilee Bridge, linda e moderna ponte só para pedestres. Eu ainda estava tonto de sono, tinha acordado no ônibus repentinamente alguns minutos atrás. Atravessando a ponte ouvi um silêncio agradável, uma brisa batendo, o maravilhoso panorama da cidade numa noite de céu aberto, uma segunda-feira, as luzes refletindo no rio, o rio... Comecei a ouvir as notas de um violão. Pouco adiante, no meio da ponte, um músico de rua dedilhava Garota de Ipanema ao violão. Difícil descrever. E então acordei de vez e me dei conta que estava em Londres.
Um grande abraço para todos, com muita saudade,


Thomas

5 de abril de 2009

36.ª SEMANA: cartão clonado e as luzes do Museu Britânico

Olá! Semana cheia, e-mail provavelmente grande. Segunda passada consegui convencer meus flatmates Chico, Lelê e Ismara a pegar uma noitesinha - a condição era que não fôssemos no Walkabout, o bar/club onde todos estudantes brasileiros costumam ir às segundas; o lugar é legal e tal, ceva barata, mas todas segundas lá não dá. Daí rodamos, entramos em dois lugares até conseguir achar um terceiro que nos agradasse um pouco, o Cheers. Não tem nada de mais, mas é de graça, no centro e a ceva não era barata. Legalzinho.
Mas essa semana que passou foi ocupada com alguns problemas também. Descobri que o meu cartão do banco foi clonado e sacaram todo o dinheiro da minha conta. E aí, como é que fica? Pois é, também gostaria de saber. Já fiz tipo de uma ocorrência no banco, expliquei a situação, anexei os extratos, e agora eles têm 15 dias para fazer a investigação. O problema é que tem um agravante: no mesmo dia que ocorreram os saques na minha conta (1 mês atrás), o meu cartão foi retido num caixa eletrônico. Era de noite e eu primeiro tirei o meu extrato. Daí fiquei na frente do caixa lendo e tal e neste meio tempo a máquina devolveu o meu cartão (aqui todas as máquinas são daquele tipo que tem que inserir o cartão e depois ela devolve) e eu não vi. Provavelmente ela fez algum barulho, mas além de eu estar lendo o extrato, estava com os fones de ouvido, então não me liguei. Quando olhei para a tela tinha um aviso do tipo "O seu cartão foi retido por questões de segurança". Então requisitei outro cartão, que não chegou. Requisitei de novo e então semana passada ele veio; fui conferir meu extrato novamente para ver se estava tudo certo e vi que tinha 4,45 pounds na minha conta! Ou seja, nada! Logo pensei que então a máquina provavelmente devolveu meu cartão por engano, algum tempo depois, e que o meu cartão estaria na mão de alguém. Esse alguém não sei como estaria tirando dinheiro da minha conta, já que só o cartão não é o bastante para tal. Mas depois notei que os saques haviam começado algumas horas antes da máquina engolir meu cartão, então isso foi pura coincidência, o meu cartão na verdade foi realmente clonado. Mas vai explicar isso pro banco!? Tenho receio que os caras achem que eu estou usando o fato da máquina ter retido meu cartão para passar eles pra trás. E isso que eu tentei resumir o caso para vocês. Na verdade tem outros varios detalhes, todos os quais eu tive que tentar explicar tim-tim por tim-tim em inglês, que saco! Bom, eu realmente estou esperando que dê tudo certo, do contrário vou ter que testar a Justiça Britânica, e daí não vai ser nada legal. Eu só tenho mais uns 40 dias aqui em Londres, e se tiver que botar o banco na Justiça ou sei lá o que (eles devem ter um PROCON organizado aqui, até nós temos aí) provavelmente não vai ser resolvido tão facilmente. But, that´s the life.
E então eu tava falando que a semana foi cheia. Uma das coisas que me tomou muito tempo eu já relatei, mas a minha próxima viagem está me dando trabalho também. E que trabalho bom! Uma coisa que eu sempre costumo dizer é que uma das melhores partes das viagens é o "antes de viajar". Aquela época em que a pessoa fica criando expectativas, literalmente contando os dias, tentando adquirir conhecimento sobre os lugares e coisas assim. E essa minha próxima viagem será a maior que já terei feito, a primeira que organizarei completamente on my own, até porque farei toda ela sozinho! Mas não quero me alongar muito nos detalhes. Mais algumas semanas e eu conto tudo para vocês. Mas o que me deixou feliz mesmo foi que na semana passada eu comprei todas as passagens aéreas! Agora o roteiro já está praticamente fechado. Então lá vai: saio de Londres dia 12 de maio e vou para Dublin. Fico 4 dias na Irlanda, uma Guiness aqui outra acolá e parto para Barcelona. Umas duas semanas de Espanha e visito nossos primos portugueses! Rapariga vai, rapariga vem e pego o vôo de Porto para Paris! Em Paris fico só duas noitesinhas, só para me despedir daquela cidade que amo tanto. E aqui vou ter que fazer um parênteses: ao longo dos últimos meses eu tinha dito para muitos de vocês que tinha idéia de ir passar um tempo maior em Paris e tal. Paris é uma cidade que já conheço bastante, mas minha idéia inicial era passar um mês lá, só conhecendo a fundo a cidade mesmo; mergulhar na vida da cidade. Mas logo eu realized que não teria dinheiro para passar um mês inteiro de bon-vivant em plena Paris, com certeza não a cidade mais barata do mundo, e que ficar um mês sozinho lá talvez não seria a melhor coisa a ser feita. Daí mudei para duas semanas e, mais recentemente, para dois dias. Easy. Fecha parênteses. Depois de comer uns truly baguetes franceses acompanhados de um bordeaux na beira do Sena, só eu e La Seine, como eles chamam o rio, rumarei a Praga. E então farei o trecho leste europeu da minha jornada: Praga-Viena-Budapeste. De Budapeste retorno a Londres. Depois ainda tenho mais um mês antes de retornar para o Brasil, então estou planejando outra viagem para lá. Mas para isso ainda terei que pedalar muitos pounds.
E por falar em pedalar, semana passada trabalhei 4 dias e nos 4 dias choveu! E choveu forte! At least não estava tão frio: temperaturas entre 7 e 12 graus. Então achei que o inverno tinha dado adeus definitivamente, pois nas últimas semanas a temperatura estava realmente ajudando. Mas então trabalhei ontem - terça - e fazia 1 ou 2 graus! E hoje a previsão é de frio de novo! Mas as flores estão começando a colorir toda a cidade, e os dias estão consideravelmente maiores. Por sinal, semana passada, mal iniciada a primavera, começou também o horário de verão aqui. Agora está anoitecendo pelas oito já, bem melhor.
Mas tirando noite, viagem e trabalho, a semana ainda teve cultura. Sexta passada tive novamente no Museu Britânico, onde despendi um pouco mais 2 horas apenas conhecendo uma sala das salas do museu, a de número 1 - de um total de 94 salas! Essa sala é a maior do museu e tem como foco principal o Iluminismo, corrente cultural que se espalhou pelo mundo ao longo do século XVIII. A criação do museu britânico, assim como a subseqüente aquisição de coleções nos anos posteriores, coincidiu com os pensamentos iluministas. Então os caras ao mesmo tempo contam a história da criação das novas ciências - como ecologia, arqueologia, geologia, história, astrologia e assim por diante - e da criação e desenvolvimento do próprio museu. Antes fui um pouco irônico, mas às vezes acho que minhas ironias são tão sutis que a maioria de vocês não pesca. Eu disse que a criação do museu coincidiu com as idéias iluministas, mas é claro que isso não foi coincidência alguma. O museu nasce e é, por assim dizer, estruturado em cima destas idéias; sem elas não haveria o sentimento de necessidade e busca por novos conhecimentos, o próprio museu não se justificaria. Uma das coisas que achei muito interessante é que até o início do século XVIII não havia o conceito de ciência, algo que é tão facilmente compreensível para nós nowadays. Até então, eles lidavam com algo que era chamado Filosofia Natural. E isso provavelmente não é apenas uma simples diferença de palavras, mas uma mudança realmente conceitual sobre o que se estava estudando, as respostas que se queriam. E foi então que nasceram ciências como a Egiptologia - criada basicamente por franceses e ingleses depois das empreitadas de Napoleão e Nelson por aquelas bandas - e a filologia, que, de uma maneira simplista de explicar, tinha como objetivo a compreensão de liguagens escritas antigas, e que depois tomou rumos mais abragentes, que não interessam agora. Pois antes eu falei nos franceses e tal. Pois é, apesar de terem sido praticamente os criadores do iluminismo - como corrente filosófica -, eles realmente só são citados no que tange o Egito. Em parte porque a sala aborda o iluminismo em sua parte mais científica, deixando de lado a grande importância política e social que este representou naquele século; mas principal e obviamente pelo eterno racha entre franceses e ingleses, que infelizmente acaba refletindo em algo que deveria estar acima de orgulhos patrióticos: o acesso à cultura e à história. E aí talvez me fiz um pouco confuso. Só quero tentar dizer, de uma maneira mais simples então, que o ódio recíproco entre ingleses e franceses infelizmente influencia na maneira com que eles abordam os fatos, inclusive nos museus. Desta maneira, a sala sobre Iluminismo do Museu Britânico não cita sequer Voltaire ou a Enciclopédia de D´Alembert. Mas provavelmente se o Louvre tivesse a sua, excluiria os ingleses também. Isso é lamentável e até cômico, pois os caras fazem uma sala sobre Iluminismo esquecendo, no entanto, dos seu próprios preceitos. Algo como, vamos mostrar tudo, mas os fraceses a gente deixa à sombra. Anyway, com ou sem franceses, a sala é um espetáculo de qualquer maneira. Quem tiver interesse e compreensão em língua inglesa pode acessar a versão virtual em http://www.thebritishmuseum.ac.uk/enlightenment/.
E então olhando tudo aquilo e ficando cada vez mais maravilhado com o fácil acesso que aqui se tem à cultura, tomei uma decisão importante: não vou mais à aula. Acho que eu já havia contado que o meu curso havia acabado e inclusive que estava procurando algum outro para fazer. Eu inclusive encontrei um de graça e tal, fui a uma aula, me pareceu bem legal. Mas daí me dei conta que o meu inglês eu posso muito bem melhorar no Brasil, mas a quantidade de coisas loucas, maravilhosas e diferentes que eu tenho aqui, no momento que eu estiver no avião, não mais as terei. O meu inglês atualmente até que não está ruim, e inclusive os museus estão sendo para mim uma enorme fonte de vocabulário. Imaginem só se em cada museu eu somar umas 2 horas de leitura das legendas e explicações; só isso já é uma aula. Sendo assim, decidi que esses 40 dias que faltam para começar a minha viagem serão utilizados para outras coisas que não o estudo. Primeiro, estou trabalhando realmente forte para juntar a grana que preciso. Segundo, a organização de todos os detalhes da viagem toma um tempo grande, prazeirosamente curtido por mim. E depois dessas duas coisas, ainda quero tragar Londres até a última ponta, se bem que eu dira que Londres é um cigarro que não tem fim. E depois dessa horrível eu fico por aqui, desejando a todos vocês uma ótima segunda metade da semana, já que esse e-mail veio um pouquinho atrasado. Um grande abraço, com muita saudade,
Thomas