Longe de Casa é um convite para você sentar-se confortavelmente na cabine de uma bicicleta-táxi e se deixar levar pelas ruas de Londres e da Europa. Dando o rumo dessa aventura, um estudante brasileiro de 21 anos que resolve dar um tempo de sua rotina em Porto Alegre e, junto com alguns colegas de faculdade, abrir a cabeça para novas experiências de vida no Velho Mundo. Se você procura um guia de viagens sobre a Europa e Londres, talvez este blog possa lhe ser um bom thriller de aventura. Para quem quer divertidos contos, de repente se depare com boas indicações musicais. E se você é um jovem que também pensa em passar por uma experiência em algum lugar no exterior, o que você encontrará aqui não apenas lhe fará rir ou trará boas dicas turísticas, sobre bandas e cantores: além de informação e entretenimento, os posts deste site aos poucos tentarão lhe mostrar uma outra maneira de enxergar as coisas. A maneira como alguém de 21 anos encara a vida longe de casa: aprendendo sempre.

27 de março de 2009

35.ª SEMANA: um pouco de turismo em Londres

Olá! Aqui estou eu então para mais uma semana de informes. E esta foi uma semana legal, deu para fazer algumas coisas bem conhecidas aqui de Londres, aqueles lugares que muitos turistas vão e que até agora eram desconhecidos por mim. Segunda-feira Chico e eu fomos num antigo navio de guerra chamado HMS Belfast, que há muito virou museu e está atracado no Tâmisa, fazendo companhia para a Tower Bridge. Este navio participou, entre outras, da Invasão da Normandia em 1944 e da Guerra da Coréia, entre 1950 e 1952. E o bala é que dá para visitar todas as instalações, desde os canhões e motores até a cozinha e aposentos do almirante. Além disso, os caras espalharam bonecos de cera por todo navio, imitando tripulantes, e criaram diferentes efeitos sonoros para cada ambiente. Assim, na sala de comando, por exemplo, pode-se não só ver os marinheiros atuando em meio a máquinas, rádios e mapas como também ouvir os barulhos ensurdecedores de uma batalha em pleno alto mar. Realmente bem bolado e muito interessante.

HMS Belfast


Saímos de gaiato do navio e fomos até a prefeitura de Londres, onde tínhamos uma audiência marcada com Mr. Livingstone, meu caro companheiro Ken, the Mayor of London. But, por contratempos de força maior, ele não pode nos receber e assim apenas visitamos o prédio da prefeitura em si, que é realmente muito bonito! E no floor do andar subterrâneo os caras simplesmente botaram uma foto de satélite de toda Londres, toda mesmo! Então você pode literalmente caminhar por Londres, procurar a quadra onde mora e ter uma proporção absolutamente real das distâncias entre diferentes lugares da cidade. Tudo isso em um piso acarpetado que cobre uma grande área, talvez maior que 15 por 15 metros.

City Hall, Prefeitura de londres


Mas a barriga tava chamando e para completar nosso dia de turista fomos para o Covent Garden Market filar uma jacket potato, talvez o programa que para mim tenha mais a cara de Londres - isso porque fiz a mesma coisa nas outras duas vezes que estive aqui como turista. Uma delícia! Todos que vem para cá deviam vivenciar isso, uma simples batata num lugar tão especial quanto é o Covent Garden.

Covent Garden


Pois quarta-feira fomos à Tower of London, um antigo forte/prisão que foi construído ao longo dos últimos 900 anos. Lá foram abrigados todos os presos de peso durante todos esses anos, em sua maioria por motivos políticos e religiosos. Muitos foram torturtados e ainda pode-se ver os aparatos de tortura originais, em meio a salas e torres truly medievais... Parecia que o Rei Arthur ou os três mosqueteiros iam saltar em meio às escadas claustrofóbicas e circulares das torres, ou passar por entre os canhões enferrujados espalhados pela fortaleza. Tudo isso muito bem construído com pedra sobre pedra e gigantes portões de madeira e ferro, como bem mandaria o script.

Tower of London

Eu, Chico e a Tower Bridge


Uma das atrações que pode se encontrar por lá são as "Jóias da Coroa", ou seja, alguns dos tantos colares, brincos, coroas e espadas da véia. E na ponta de um bastão qualquer lá, está a maior gema de diamante do mundo, com algumas centenas de quilates. Sou mais meu laptop, muito mais útil do que todas aquelas coroas e apetrechos que não servem pra nada.
E então depois de gastar algumas horas dentro da famosa Torre de Londres, realmente um dos highlights de Londres, rumamos para onde? Para um PUB, ora pois! (Tenho que começar a treinar o meu manuelês, já que Portugal vai ser um dos destinos da minha próxima viagem). Fomos a um PUB holandês vizinho de China Town, muito bacana! Como manda a tradição dos PUBs holandeses e, principalmente dos belgas, cada cerveja é servida no seu respectivo copo, muito bala. Mas, além de não ter muito dinheiro para gastar em expensive pints, eu tinha que trabalhar. Então fui até a garagem, peguei minha bike e rumei para o West End. Algumas horas later, pneu furado. Vira a bike, esvazia completamente o pneu, tira a câmara para fora, enche a câmara, acha o furo, esvazia a câmara, remenda o furo, põe a câmara para dentro, enche o pneu. No que eu enchia, notei que o pneu ainda estava furado, provavelmente o reparo havia sido mal feito. Começa todo o processo de novo. Não era o remendo mal feito não, esse tava "dez patrão"; havia um outro furo mesmo. Pronto, arrumado pela segunda vez; começo a encher e o bagulho começa a desencher. Lá vou eu fazer tudo pela terceira vez. Pronto, na terceira dá tudo certo. O protocolo todo tinha começado as 9:30. Agora eram 10:50, ou seja: eu tinha perdido a saída dos teatros, talvez o horário mais forte dos dias de semana. Tudo bem, a vida não é um moranguinho. Não posso esquecer de comentar que estava bem frio, e todo esse trabalho de uma hora e vinte teve que ser feito sem luva, pois a luva tira completamente a precisão manual. Se vocês conseguem se lembrar de algum dia muito frio de inverno saberão que as mãos tendem a doer muito quando se tem que fazer algum trabalho manual e elas estão muito geladas. E por assim dizer, consertar um pneu furado é uma tarefa que requer um pouco de força bruta também, o que fazia as mãos doerem mais ainda. Mas vamos lá, começo a andar, cinco minutos depois consigo duas clientes. Beleza! Ando uma quadra com elas e sinto que o pneu tá esvaziando de novo. Agora eu devia pôr uma palavra bem baixa para expressar meu sentimento, aquela que começa com "c", mas deixemos assim. Bom, uma quarta vez era demais... Entreguei as clientes para outro rider e voltei para a base de pneu furado mesmo. Antes que alguém esteja pensando "que cara babaca, é claro que tinha alguma coisa fincada no pneu que tava furando a câmara...", eu retruco: podia até ter, mas eu não encontrei. No outro dia troquei a câmara e o mecânico examinou minuciosamente o pneu; também não encontrou nada.
Sexta- feira repentinamente o inverno parece ter acabado. A temperatura que em média ficava entre 2 e 6 durante a noite subiu para algo em torno dos 10! Um grande acontecimento no rickshaw business! Mas daí veio uma chuva que não foi nem um pouco legal, afinal chuva, vento e dez graus de temperatura ainda não é o ambiente mais interessante para se trabalhar. Mas antes de começar a chover, no início da noite, fiz uma ride um tanto quanto diferente. Estou parado em Covent Garden e chegam dois caras, vestidos bem normalmente, aparentemente estudantes de seus 20 e poucos, e me perguntam com a maior naturalidade, obviamente em inglês: "Bá cara, tu não sabe onde nós podemos ir para fumar maconha?" Logo perguntei: "Mas vocês querem ir num bar e fumar dentro do bar?" Sei lá né, os caras podiam achar que estavam em Amsterdam, tem cada maluco... Daí um deles respondeu: "Não cara, nós queremos algum lugar sossegado com uma vista legal e tal..." Bom, falou em vista legal, a primeira coisa que me ocorreu foi Waterloo Bridge, é claro. Ao que respondi: "Olha bicho grilo, posso levar vocês para Waterloo Bridge e tal, deixo vocês no meio da ponte e vocês puxam o fuminho descansados, bela visão da cidade, sem policiais... levo vocês por tantos pounds..." Os caras, um inglês e outro sul-africano, pensaram, conversaram e aceitaram. Antes pediram uns minutinhos que tinham que ir até um cash point para sacar a grana e me pagar. E então levei os caras lá pro meio da ponte. Chegando lá ainda me lembrei de um jardinzinho que tem atrás da London Eye, que é muito tranqüilo e de onde se tem uma vista fenomenal da roda-gigante. Daí deixei os caras na ponte e mostrei para eles o tal lugar e eles acharam legal as minhas dicas e até me deram uma gorjetinha. Maconheiros legais aqueles... E eu achei tudo muito engraçado, pois as pessoas pedem as mais variadas coisas para mim, mas nesse estilo foi a primeira vez. Ser rider não é apenas levar as pessoas para a rua ou o local tal que elas pedem. Ser um bom rider é também ter respostas para o que as pessoas querem. Se alguém te pede para levar num restaurante tailandês ou num de frutos do mar, você tem que saber onde é e levar a pessoa lá. Não é que seja obrigado, obviamente ninguém obriga. Mas quanto mais se sabe, mais os clientes gostam e mais se ganha grana. Então você tem que conhecer muitos lugares diferentes e ser um tanto esperto também. Esses dias um casal de New York queria comer chocolates... Eles simplesmente chegaram e me pediram para levá-los em algum lugar onde poderiam encontrar bons chocolates e no qual pudessem curtir um café também. Daí na hora me deu um branco: óbvio que devem ter muitas chocolaterias pelo centro, mas eu nunca tinha notado nenhuma em particular. Mas daí forcei meu processador e me deu uma luz: me lembrei de uma loja de departamentos famosíssima e que tem chocolates lindos, sobre a qual eu inclusive já comentei uma vez, Fortnum & Mason. Eles que abastecem os porões do Palácio de Buckingham, ou seja, a geléia que a rainha come é de lá. E daí levei os caras lá. E então é por isso que disse antes que um rider tem que ter a resposta também. But, nunca imaginei que ia ter que pensar em algum lugar calmo pro cliente puxar fumo...
E como essa história eu teria várias outras, mas são mais longas e para descrever aqui com acurácia seria tarefa difícil para mim e também para vocês, ao lerem. Só posso dizer então que, apesar de ter tido um sábado também muito chuvoso e pouco rentável, pude dar boas risadas com alguns clientes e cenas da louca noite londrina. E é por histórias como essa que contei - e muitas outras que acontecem - que eu gosto desse meu emprego. É claro que é cansativo e várias coisas às vezes encomodam, como o frio e o dia que tive o pneu furado 4 vezes e voltei para a garagem com 3 pounds no bolso, os mesmos 3 que serviram para pagar a câmara nova no dia posterior. No entanto o fato de trabalhar num cenário tão louco, que é o West End, no meio de pessoas tão malucas, que são os habitantes dessa cidade, vindos de todos os cantos do mundo, poder dar boas risadas com tudo isso e ainda fazer um dinheirinho... É por tudo isso que eu adoro fazer o que faço!
Well, fazia muito tempo que eu não contava nenhuma peripécia da bike. Como tinha passado fevereiro parado, nem tinha como contar nada novo mesmo, mas agora, como vocês viram, começaram a surgir novamente algumas historinhas senão malucas, diferentes. Digo isso porque alguns de vocês nem recebiam meus folhetins no ano passado, quando eu costumava comentar mais sobre como é a vida de um rider. E para quem por acaso ainda não entendeu direito o que é um rider ou um rickshaw, saiu uma reportagem sobre o rickshaw business num site para brasileiros em Londres. Eu inclusive fui convidado para participar da reportagem, mas preferi ficar calado e não ajudar a divulgar esse ainda relativamente desconhecido nicho de mercado entre os brasileiros. Porque até existem alguns brasileiros trabalhando como eu, mas não devem ser mais de 15. Quando a brasileirada descobrir isso vai ser complicado. E como sei que esse site é tri influente, principalmente sobre o pessoal novo que está vindo para cá, achei melhor não falar nada. Mas é óbvio que a reportagem saiu do mesmo jeito e quem quiser pode acessar para entender mais como funciona tudo. Tipo, tem algumas informações equivocadas e tal, mas de uma maneira geral explica bem o esquema. O site é http://www.oilondres.com.br/trabalho/rickshaw.htm
Então era isso pessoal, um grande abraço a todos e uma ótima semana, com saudade,

Thomas

20 de março de 2009

33.ª e 34.ª SEMANAS: De volta ao trabalho (pra valer)

Fiquei ausente nas últimas duas semanas e aqui estou de novo. Nada de muito novo para contar, apenas alguns detalhes da minha vida por aqui. Primeiro de tudo, consegui uma bike novamente! Acho que não havia contado isso no meu último e-mail. Pois é, agora tenho um rickshaw só meu, não preciso compartilhar mais como estava fazendo. E é um dos bons, bem novinho, diria impecável, igual ao que eu usava até dezembro. Pois então nestas duas últimas pude trabalhar bastante, pegar muito frio é verdade, mas fazer um bom dinheirinho. Chegamos ao ponto, Chico e eu - os únicos dois que sobraram do verdadeiro time de riders que éramos -, de trabalhar na neve! Sim, sexta-feira nevou durante toda a noite. Começava e parava, começava e parava. Tá, confesso que era uma nevesinha quase imperceptível, mas no imaginário de vocês devem surgir montes de neve acumulados nas calçadas e pessoas e bêbados fazendo bolinhas... Assim fica mais dramático e lírico. Imaginem eu lá, tocando minha sinetinha e oferecendo carona para as pessoas em meios a flocos branquinhos caindo.
E como foi bom voltar a trabalhar numa sexta e sábado, como há muito não fazia. São as noites mais loucas da semana, e o centro da cidade fica, como diria o Chico, um caos. But even caos e pernas doloridas de tanto pedalar são divertidos quando a grana tá entrando no bolso. E então trabalhei hard mas me diverti também.
Na semana retrasada meu curso acabou e então tive um tempo livre a mais na que se passou. Então usei ele para algumas coisinhas. Fui dois dias na Tate Britain, que é um museu de pintura inglesa, de 1500 até os dias atuais. Muito bala! E vou ter que ir lá uma terceira vez, pois não consegui cobrir tudo. Menos mau que os museus são em sua maioria de graça aqui. E isso é maravilhoso! Vocês não imaginam como tem museus aqui, e todos são muito bem organizados, o que os torna muito mais interessantes. É difícil explicar isso, mas para mim é muito perceptível. Uma coisa é ir num museu e ver um quadro do fulano. Outra coisa é ir no mesmo museu e ver um quadro do fulano com uma explicação ao lado, enaltecendo as virtudes da obra, chamando a atenção para o que está entre os traços, etc. Sendo que os quadros do fulano vão estar provavelmente cronológica ou tematicamente organizados em salas diferentes, tudo simplificadamente sinalizado. E é bem provável que haverá disponível também um mapinha e, desta vez não gratuitamente, um audio guide multilíngüe – um daqueles aparelhinho portáteis que vão explicando tudo ao longo do recorrido, com efeitos sonoros e tudo.
Bom, deixando de lado a dissertação sobre a organização dos museus ingleses, usei o tempo a mais durante a semana para começar na prática a organizar a viagem que farei a partir de maio. Algumas semanas atrás eu já havia começado a ler e pesquisar sobre roteiros, highlights e tal, mas essa semana coloquei tudo no calendário e pude procurar por passagens e afins. Mas não está nada certo ainda, quando estiver conto mais. Primeiro tenho que ganhar o dinheiro para pagá-la... Depois fazê-la. Mas sonhar é de graça.
Como vocês devem saber, nosso excelentíssimo presidente andou pelas terras da rainha, literalmente, nos dias que se passaram. Inclusive ele participou da famosa Troca da Guarda, mas eu não estava lá. Os guris acordaram de manhã cedo e foram, eu não consegui sair da cama. Disseram-me que viram de canto o nosso presidente... Agarrado na rainha! Opa, isso não era pra contar.
Mas então nas últimas semanas a The Mall, grande avenida ladeada por dois parques, que acaba no Palácio de Buckingham, estava toda enfeitada com bandeiras do Brasil e do Reino Unido. Então estivemos por lá taking some pictures; uma das quais anexei neste e-mail. As outras mostram cenas londrinas, just it.

Cenas londrinas


No mais era isso, fico por aqui, neste post que ficou realmente pobre. Pelo menos assim vocês se mantêm atualizados. E antes de dar tchau, não poderia passar em branco a volta para o Brasil do Biri e do André, como eu já havia comentado nas últimas edições. Pois é, os caras se foram e assim fecharam a temporada farewell... Agora somos só o Chico e eu, e por tal motivo até mudei de quarto. Mesma casa, quarto novo. E era isso, agora restam menos de dois meses de Londres. Afterwards, just the road. So, um grande abraço para todos, com muita saudade,


Thomas

7 de março de 2009

32.ª SEMANA: Jack Johnson’s concert

Esta semana foi um tanto diferente. Escrevi meu último e-mail na terça-feira, então este começa na quarta. Quarta-feira acordamos cedo pois tínhamos uma jornada pela frente: iríamos a Birmingham para assistir ao show do Jack Johnson. Sim, ele mesmo! Tínhamos comprado os ingressos há muitos meses, e mesmo com tanta antecedência, na época não conseguimos os ingressos para os shows em Londres. A saída que encontramos foi assistir o cara em Birmingham, que vem a ser a segunda maior cidade da Inglaterra. Passamos o dia lá dando voltas pelo centro da cidade, num dia absolutely freezing! Tava muito frio mesmo, e o vento ainda deixava tudo pior. Mas isso não poderia assustar, afinal todos nós passamos janeiro inteiro viajando, cada um em cada canto da Europa, mas sempre com a friaca pegando. Então lá pelas 4 da tarde fomos para estação: haviamos de pegar um trem para o lugar do show, que era bem afastado do centro da cidade. Depois de um cochilo sentados nos bancos da estação, pelas 5 e pouco pegamos o trem e então lá estávamos. Os nossos lugares eram na arquibancada, assentos marcados e cuidadosamente não virados para o palco; lugarzinho bem ruim mesmo. Mas não é que na nossa frente ficava um tiozinho, um tal de Steward, que era responsável pelas pessoas que ficavam na pista: ele pedia o tíquete das pessoas quando elas entravam e, quando saiam para ir nos bares ou banheiros, ele entregava de novo, para que pudessem retornar. Sendo assim, ele tinha um bolinho de ingressos. Muito solidário com nossa situação, vendo que nosso lugar era penoso, Mr. Steward kindly nos deu, na mocó, 5 ingressos. And that´s it! Quando nos demos conta estávamos na pista, muito perto do palco!
Congelando em Birmingham

E o show estava muito bom! Primeiro rolou dois shows de abertura: o primeiro de uma banda californiana chamada ALO, muito boa, e depois tocou um cara chamado Matt Costa, o qual achei excelente. O cara tem uma voz e músicas belíssimas, em sua maioria baladas folks, que ele tocou ao violão acompanhado apenas de mais um cara na guitarra. Eu realmente me impressionei com ele, acho que tem uma grande carreira pela frente. As músicas me relembraram dois outros: Neil Young e Damien Rice, aquele cara que em outra ocasião já falei muito bem. A dica para quem se interessar é tentar fazer o download da música "Lullaby", um dueto dele com Jack, que está no CD "Sing-a-longs and lullabies for the film Curious George", último CD do Jack Johnson.

Show Jack Johnson (e Matt Costa)


Mas vamos ao que interessa, o show - agora o do Jack - estava maravilhoso! Ele tocou talvez todas as suas melhores músicas durante pouco mais de hora e meia de show. Mostrou que tem uma voz invejável e que sabe mesmo tocar violão. Achei maravilhoso que o cara segurou as pontas do violão no show inteiro, sem nenhum outro guitarrista ou violeiro pelas costas. Foi acompanhado apenas de um baixista, baterista e pianista. Pianista este de muito talento e que vem a ser o cantor e líder da banda californiana de abertura. Pra tentar resumir, Marcus, André, Chico, Biri e eu nos deleitamos com a música do cara. Havíamos passado o último mês inteiro praticamente só ouvindo suas músicas, como um mega-aquecimento. E de repente em uma hora e meia o cara cantou todas elas pra nós. Como diria o André: fantástico! E tem mais: Jack Johnson havia sido a trilha sonora da viagem que e eu havia feito de carro com o Marcus e o André pela França. Em dezembro, já pensando no show de março, alguns dias antes de deixar Londres em direção a Paris, eu havia comprado seus 3 CDs. E então pegamos o nosso carro e atravessamos a França com o Jack de fundo, talvez a trilha perfeita para a ocasião. E foi assim. No bis o Jack ainda chamou o tal de Matt Costa e então cantaram mais uma ou duas, it was perfect! Então voltamos de madrugada para Londres, extasiados, cansados e felizes.
Na noite posterior, quinta-feira, por uma última vez rolou uma janta com toda a galera reunida. Na sexta-feira o Marcus estaria retornando para o Brasil, and so for the last time pudemos todos confraternizar, como tantas outras vezes fizemos nessa casa. Assim, comeu-se, bebeu-se, toucou-se violão e bateu-se papo até tarde. Foi a última janta que eu, o André e o Marcus, meus companheiros de quarto desde o início, pudemos curtir juntos. E como era despedida do Marcus, resolvi fazer uma massa para toda a galera e, principalmente, para eles. Esses são os caras que foram parceiros e companheiros desde o início. Foi com esses caras que durante meses eu dividi o quarto e que durante esses mesmos meses me agüentaram... E tudo muito na boa! Não brigamos sério nenhuma vez, no maior exemplo de parceria mesmo.
Na sexta-feira à noite então o Marcus foi embora e assim começava a acabar um sonho planejado durante muitos meses, o qual se tornou realidade desde julho do ano passado, quando chegamos aqui. Sonho de 4 colegas de engenharia - André, Chico, Marcus e eu - que resolveram largar aquela rotina de cálculos e normas para curtir a vida na Europa. Só isso, curtir a vida. E agora aos poucos esse sonho se vai. No próximo domingo é o André que está indo e então sobrará só o Chico e eu. Claro que isso não quer dizer que a partir de agora não vai ser legal, ou coisa assim. Nada disso, quero que seja cada vez melhor! Mas tenho que admitir que será diferente.
E então o Marcão - ou Marquito, depende quem o estava chamando - foi embora na sexta. No sábado André e eu saímos para dar umas bandas: fomos no Holland Park e depois na City, apenas para tirar algumas fotos. À noite peguei um cineminha com o Dany, meu primo italiano, e tudo acabou em uma pizzaria no SOHO. Pelo menos pude aproveitar plenamente um sábado, já que costumava ser o dia em que eu sempre trabalhava, o melhor dia do rickshaw business.

St. Pauls's Cathedral


E este é um bom assunto: o trabalho. Não sei se eu havia contado que tava difícil de conseguir uma bike. Acho que comentei no último folhetim. Pois é, ainda não consegui um rickshaw definitivo, mas pelo menos consegui que um cara me alugasse a bicicleta dele. Daí trabalhei no domingo à tarde e pretendo trabalhar durante essa semana - com excessão de sexta e sábado, que o cara vai usar. E como foi bom ter trabalhado no domingo. Apesar de não ter feito muita grana e estar bem frio, foi bom voltar à ativa. Passei a tarde ao redor de Covent Garden, meu local preferido de Londres. E qual emprego melhor do que ficar parado observando as pessoas e os tipos diferentes passando? Tirando o frio, tava muito bala. É como se eu pudesse passear enquanto trabalho, afinal o meu trabalho é levar – ou passear com - as pessoas por Londres. Daí vi que eu tô precisando trabalhar mesmo. Não só para ganhar dinheiro, mas para descansar um pouco a cabeça. Diria um tal de Domenico de Mazi que o ócio criativo é bom. Concordo, mas em demasia faz a gente pensar demais. Lembro-me de um poeminha que li uma vez em um ônibus da Carris, daquela série "Poemas no Ônibus", dizia mais ou menos assim:


"Às vezes as idéias vêm a minha cabeça
e ficam lá
a dar voltas e voltas
até dar um nó"

Acho que voltar ao trabalho talvez não faça muito bem para os joelhos e os pulmões - minha bronquite anda enchendo o meu saco -, mas fará bem para a mente. Então era isso, eu volto para o trabalho aqui justamente quando o pessoal da UFRGS volta às aulas aí. Um abraço especial para todos da faculdade: colegas de aula, de trabalho e professores. Espero que todos tenham um ano letivo excelente tanto em suas vidas profissionais como pessoais! E os assíduos dos Churras na vó do Thomas, só precisam esperar mais um semestre, pois no próximo já estarei aí. Um grande abraço para todos, da UFRGS ou não, com muita saudade,
Thomas