Longe de Casa é um convite para você sentar-se confortavelmente na cabine de uma bicicleta-táxi e se deixar levar pelas ruas de Londres e da Europa. Dando o rumo dessa aventura, um estudante brasileiro de 21 anos que resolve dar um tempo de sua rotina em Porto Alegre e, junto com alguns colegas de faculdade, abrir a cabeça para novas experiências de vida no Velho Mundo. Se você procura um guia de viagens sobre a Europa e Londres, talvez este blog possa lhe ser um bom thriller de aventura. Para quem quer divertidos contos, de repente se depare com boas indicações musicais. E se você é um jovem que também pensa em passar por uma experiência em algum lugar no exterior, o que você encontrará aqui não apenas lhe fará rir ou trará boas dicas turísticas, sobre bandas e cantores: além de informação e entretenimento, os posts deste site aos poucos tentarão lhe mostrar uma outra maneira de enxergar as coisas. A maneira como alguém de 21 anos encara a vida longe de casa: aprendendo sempre.

12 de maio de 2009

41.ª E METADE DA 42.ª: frio na barriga

Começo a escrever num momento de ânimo não muito bom, mas se não escrever agora sobre a última semana e meia, não o farei mais. Agora já são 00:32 de sexta-feira, e daqui a algumas horas, pela manhã, eu estarei pegando o avião rumo a Dublin. Os últimos 10 dias foram realmente muito especiais, mas acho que não vou conseguir contar as coisas direito e com calma. É que estou realmente nervoso. E na verdade nervosismo é um sentimento com o qual, acabo de descobrir, não me dou muito bem. Sei lá, me considero uma pessoa calma, quando muito rola uma ansiedadesinha só, mas essa vez o negócio tá complicado. Idealizem que estou pra começar a aventura mais louca da minha vida - até agora, pelo menos. Ficarei 37 dias viajando completamente sozinho, tudo por conta própria. Devo encontrar o Chico e outros amigos por alguns dias em Barcelona, mas o resto será tudo eu e eu. Então a sensação que sinto agora é muito estranha, é como se fosse um frio na barriga ao extremo. Isso se soma com a sensação de estar deixando Londres, o que me deixa meio triste. Na verdade depois eu voltarei para Inglaterra, onde ficarei mais uns 10 dias em Londres e outros 10 viajando pela Grã-Bretanha. Logo essa ainda não é a minha despedida desta cidade, mas é a despedida da vida que eu tinha aqui: últimos dias de trabalho, últimos dias nessa casa – onde morei desde o início –, últimos dias com algumas pessoas que nem vou mais ver. Ao mesmo tempo que, ao pensar em deixar Londres, fico assim, olho para o outro lado e vejo quantos lugares novos, pessoas novas e aventuras novas me esperam. Então tudo isso que eu falei se mistura e cria uma coisa: nervosismo.
Mas tenho algumas coisas para contar sim. A começar que semana passada foi minha última semana de trabalho, última mesmo. Também foi a semana que mais trabalhei de todas e a que mais ganhei dinheiro também. Nada mal em fechar com chave de ouro – carteira lotada. Quem leu meu último e-mail talvez se recorde que eu havia comentado que tinha trabalhado no domingo, véspera de 1.º de maio, e que tinha sido muito bom, poucos riders na rua e tal. Pois então a semana passada começou já assim. Depois seguiram-se dias belíssimos, onde a temperatura aumentou consideravelmente, a ponto de eu conseguir trabalhar um dia de camiseta de manga-curta até o final da noite. Vocês podem achar isso banal, mas é que depois de ter pego o frio do inverno durante meses que pareciam intermináveis, na real eu talvez tenha ficado meio complexado, o que faz com que uma temperatura tão agradável, a ponto de se ficar de camiseta à meia-noite, seja o suficiente para me fazer comemorar.
E então seguiram-se dias quentes but no sábado, o derradeiro dia de trabalho, o que aconteceu? Choveu e fez frio. Assim, pedalei minha tão querida bicicleta por um último sábado, que foi como qualquer outro, exceto pela carga sentimental que foi aparecendo de repente. As horas foram passando, eu levando os clientes para lá, para cá, e comecei a notar que aquela seria a última vez que eu estava levando alguém para Victoria, ou para o Covent Garden, ou naquele hotel. E ao mesmo tempo em que eu queria que tudo acabasse para ter aquele sentimento de dever cumprido, queria que continuasse, mais rides, mais risadas, mais pessoas diferentes para bater-papo. A madrugada entrou, a chuva parou e de repente já era 4 e meia da manhã, horário que o centro já está quase que completamente vazio, só uns gatos-pingados, como diria minha mãe. Então fiz uma coisa muito legal: já amanhecia, aproveitei a cidade vazia – de pessoas e veículos –, peguei minha câmera de vídeo e fiz um filme, pedalando a bike mesmo, pelos lugares que tanto vão me deixar saudade. Resolvi que não podia deixar a memória começar a me passar pra trás daqui uns anos, apagando as cores e formas destes lugares. Porque às vezes achamos que nunca vamos esquecer das coisas, mas acabamos esquecendo dos detalhes. Prova disso são as nossas casas. A vida vai passando, vamos nos mudando e, depois de muitos anos, é difícil lembrar-se dos detalhes de cada peça da casa, como era o armário da sala, onde ficava a TV no quarto e assim por diante. Daí peguei minha câmera e eternizei. O caráter documental da fotografia, mas com som e movimento incluso.
Domingo comi uma feijoada muito boa na casa de uma amiga, a Rosangela, e estava fenomenal! Assim já entro na semana de número 42, que foi realmente muito corrida. Apesar de já estar oficialmente em férias, ainda tinha que resolver, comprar e escolher um monte de coisas. Mas foi uma semana - ou pelo menos metade dela - muito bala! Quarta-feira foi meu aniversário e então convidei uns amigos para fazer uma roda de violão lá no Hyde Park. Tava muito tri! O dia tava lindo, alto astral da gurizada, tranqüilidade, algumas Stellas, eu me empolgando – como sempre – ao violão... Até que não foi muita gente, mas o pessoal que foi era parceria mesmo. Prova de que tudo se renova, e as amizades também. Dessa vez não havia ninguém que veio comigo do Brasil – como já lhes contei, os guris todos já se mandaram –, apenas pessoas que fui conhecendo ao longo do tempo por essas terras. Nada mais do que a idealização daquilo que eu, meio cabisbaixo, auto-preconizava para vocês, talves 2 meses atrás: de que, na ausência nos meus amigões do peito, eu teria que encontrar novas pessoas, novas amizades.

Meu aniversário no Hyde Park


Era mais um ciclo simbolicamente se fechando. Entre tantos outros discos da minha vida que já tinham girado. O disco das conquistas dos primeiros meses, quando chegamos aqui e tivemos que praticamente começar tudo do zero. Aos poucos isso era passado: estávamos adaptados, empregados e, sobretudo, felizes. Depois o inverno viria e castigaria; as noites de trabalho que eram amenas no início passariam a ser insistentemente geladas e más. Mas a perseverança foi superior, e mais um disco girou: há pouco vocês liam meu brado acima, feliz pela simples utilização de uma camiseta durante toda noite de trabalho. Pode parecer besteira, mas era nitidamente o ciclo se fechando; era eu me lembrando que o clima das noites de agosto do ano passado, já uns tantos meses atrás, havia voltado. Nada mais nada menos do que o verão novamente. E dentre outros ciclos fechados ou se fechando, o da busca por novas companhias...
Assim esses dias se passaram, consegui fazer tudo que precisava, levei todas minhas bugigangas lá pro apartamento do meu primo, onde elas irão ficar até a minha volta. E agora estou aqui. Vejo na minha frente cidades e mais cidades espalhadas por vários países, e vejo também a realização de uma grande etapa da minha vida. Os próximos dois meses serão literalmente, por mais clichê que pareça, conseqüência das gotas de suor que rolaram enquanto eu pedalava por aí. Agora sou eu, meu mochilão e a vontade de curtir tudo isso!
Vocês também poderão curtir umas férias de mim, pois não tenho intenções de seguir com meus boletins, ao menos nas próximas 5 semanas. Quero férias completas: estudo, trabalho, tecnologia. Depois, já em Londres, dou as caras.
Antes de me despedir, queria só relembrar o meu roteiro, caso alguém esteja curioso. Espero que não enxerguem algum grau de exibicionismo nisso; sei que facilmente as pessoas tendem a encarar dessa maneira. Primeiro passarei 4 dias na Irlanda, depois mergulho na Espanha e volto à superfície em Portugal. Sigo para Paris, um baguete com aquela manteiga que só eles sabem fazer, e sigo para Praga. Então faço as duas últimas cidades: Viena, na Áustria, e Budapeste, Hungria. And that´s it.
Fico por aqui nesse e-mail mais que pobre. Amanhã faço o happy hour em algum truly Irish Pub, provavelmente sozinho, tomando algumas Guiness. E brindarei, mesmo que on my own, a todos vocês. Pois assim como sei que estarei sozinho nas próximas semanas, sei também que muitos de vocês estarão freqüentemente me fazendo companhia, lá naquele lugar que nós chamamos de mente, e que um inglês sonoricamente diria: "on my mind". Um grande abraço para todos, com muita saudade,


Thomas

4 de maio de 2009

38.ª, 39.ª e 40.ª SEMANAS: quase deixando Londres e caindo na Europa

Fiquei 3 semanas sem me comunicar e agora mando um boletim triplo, ora pois. E realmente fiquei essas semanas sem escrever por pura falta de tempo. Três são os motivos. A minha viagem em si é o primeiro deles: quando penso que já está quase tudo resolvido, descubro que tenho mais lhões de coisas para decidir e organizar. Segundo, o trabalho. Tenho realmente trabalhado bastante, mas não que isso seja algo penoso ou que me aborreça. Pelo contrário, estou conseguindo reach todas minhas metas monetárias. E por último a boemia, que tem prazeirosamente me tirado algumas horas.
Mas então vou tentar relembrar os acontecimentos. Como todos sabem, a couple of weeks ago foi Páscoa, e aqui é feriado na sexta-feira - "santa" - e na segunda - que não sei se é "santa" também. Pois como sexta era feriado, o pessoal obviamente resolveu sair pra noite na quinta, como também acontece em qualquer véspera de feriado no Brasil. Então a quinta-feira foi para o rickshaw business como uma sexta-feira, ou seja, muito boa. Não contentes, as pessoas saíram na sexta de noite também, afinal era como se fosse o sábado da semana. E no sábado, ora... era sábado, então saíram de novo. Resultado: uma semana com virtualmente uma sexta e dois sábados, tudo que um rider sempre sonhou. Esse foi o parágrafo do trabalho.
Daí era domingo de Páscoa e, além disso, dois dias antes havia sido aniversário do Chico. Nós já haviamos inclusive comemorado naquela semana indo no Sports Café, um bar/club com temática esportiva, bem agradável até. Mas não contentes com apenas uma comemoração, no domingo fomos - Chico, Marcelo, nosso flatmate, e eu - na Ministry of Sound, um dos mais famosos clubs de Londres. Fizemos uma concentração bem interessante com algumas Stellas, se não me falha a memória, e então entramos lá sabendo dançar horrores! Tava muito bala, sonzeira eletrônica pegando até 5 da manhã e a gente curtindo ao modo inglês: cada um dançando na sua de qualquer jeito mesmo. Mas não é só por isso que entoei a palavra “boemia". É que nos últimos tempos tenho ido bastante a diferentes bares e tal, coisa que quem me conhece bem sabe que adoro fazer em Porto Alegre. Troco qualquer pista de dança por uma mesa de bar. Pois então, quando sobra um tempinho aqui, um day off acolá, tem rolado uns barzinhos bem bacanas: lugares que eu sempre passava e queria conhecer e só agora estou tendo a oportunidade. Meus companheiros principais desse parágrafo: Chico, nas baladas mais fortes, e Dany, meu primo, nas cervejas ou vinhos compartilhados por aí - e uma que outra companhia feminina para deixar tudo mais colorido.

Lá em cima: indo para a Ministry of Sound

As outras: Na ministry


Dia desses Chico e eu fomos assistir ao "We will rock you", um dos muitos musicais que povoam o West End, centro do centro de Londres. Como o nome já assopra, não é nada mais do que um musical com o Queen de tema principal. E não que isso não seja o bastante, muito pelo contrário. As músicas de Fred Mercury e sua trupe eram tão boas que seria difícil fazer um musical ruim, pra não dizer impossível. E então pude me deleitar com mais de duas horas de pura música, sendo majestosamente interpretada por uma honesta e excelente banda de apoio. Tudo isso acompanhado de muitos efeitos especiais, como mandaria o script de um mega-show de rock. Para os mais perdidos, Queen foi aquela banda inglesa fenomenal dos anos 70/80 da qual o Fred Mercury fazia parte. Sacou?

We will Rock you


Nesse meio tempo dei uma passada nas duas maiores lojas de CDs da Inglaterra, a Virgin e a HMV. As duas tavam em liquidação, com umas ofertas muito boas. Que fiz? Comprei muitos CDs, seguramente mais de 10! E dei várias dentro. Entre outros artistas já por mim apreciados, aproveitei para comprar álbuns de bandas de respeito, mas que eu ainda não tinha tanta intimidade. E assim o fiz com Miles Davis, The Smiths, The Beach Boys e YES. Todos me agradaram muito, mas esse último simplório nomesinho, YES, realmente me abalou! Fiquei me perguntando como que ninguém havia me mostrado isso antes. Até meu pai, que sempre foi minha principal fonte de conhecimentos para assuntos musicais de décadas longínquas, passou despercebido por esses caras. É óbvio que eu já tinha ouvido falar deles, conhecia uma que outra música que, vez que outra, toca na rádio. No mais, para mim o YES era simplesmente um dos criadores de uma coisa chamada "rock progressivo", que por sinal nunca entendi direito o que é. Mas qual não foi a minha surpresa quando me deparei com a música dos caras e vi que era superb, realmente muito boa. Grande descoberta para um cara de 21 sedento por novas - ou velhas? - referências musicais.
Mas acontece tanta coisa em 3 semanas na vida de uma pessoa que eu tava quase esquecendo de uma delas. O meu problema do banco foi resolvido: devolveram-me todo o dinheiro! Uma segunda-feira dessas fui acordado com uma ligação de uma mulher do banco. Como vocês já sabem, os meus horários aqui são pouco ortodoxos, então já passava de onze da manhã mas eu ainda curtia um bom ronco. Daí acordei, aquela coisa de não saber direito que horas são, se era ligação ou apenas o alarme do celular, que língua falar, ou seja: acordei ainda dormindo. E daí a lady se apresentou, disse meia dúzia de frases que eu não me lembro ou não entendi, e o que interessa é que ela disse que o meu dinheiro seria depositado integralmente na minha conta naquele dia, e isso eu entendi muito bem! Well, que fiz eu? Comemorei, é claro! O Chico casualmente tinha viajado e então fiz um rangão arregado - como diria meu saudoso amigo Novás - pra mim mesmo, on my own. Era segunda-feira, o que pra mim equivale ao domingo de uma pessoa normal - pois meus day offs são domingo e segunda - e então comemorei o final feliz de meu problema financeiro tomando umas cervejinhas e curtindo uma comidinha legal, que nem me lembro qual foi. Mas isso não bastava, e então de noite saí com meu primo e umas amigas. Pra onde? Um bar, é claro. Fomos no Porter House, talvez o bar mais bala que tem aqui. Além de ser cervejaria - vender sua própria cerveja -, os caras vendem também cervejas de all over the world. Um paraíso para os apreciadores de uma boa cervejinha - ou "pão líquido", teoria que os alemães costumam pregar, segundo meu primo me contou. Achei essa do "pão líquido" muito fraca, mas muito engraçada ao mesmo tempo. Mas então naquela semana - a passada - tudo começou dez patrão. Very well done.
Sexta passada Chico e eu saímos cedo para comprar nossos euros, que serão muito prazeirosamente gastos em nossas respectivas viagens. Fazia um dia lindo, temperatura amena, e depois de rodarmos por várias casas de câmbio acabamos comprando numa que fica na Strand. E a Strand fica perto de Waterloo Bridge. E daí vocês já podem imaginar. Compramos algumas Buds no Tesco e atravessamos a ponte como forma de comemoração do feito. Comprando os euros era como se simbolicamente estivéssemos comprando a nossa viagem, era como se todo o esforço de pedaladas e pedaladas em noites austeras se transformasse em alegria e recompensa naquele momento. Simplesmente wonderful!

Comemoração após transformarmos nossas pedalas em euros para a viagem.


Então os dias foram passando e de repente chegou a hora do Chico também se mandar, começar o mochilão dele. Obviamente ele não poderia partir sem uma última festinha ou qualquer coisa assim. Então ele marcou pra domingo de noite um agito aqui em casa. Eu, atipicamente, trabalhei neste domingo, pois tinha um guess de que seria forte, afinal segunda-feira seria feriado - primeiro de maio. E dei uma dentro, o bolso encheu mesmo. Comecei cedo, 15:30, e pelas 11 da noite começou a chover forte. Daí tinha muitos clientes e quase nenhum rickshaw na rua. A chuva tava pegando, a temperatura não tava das mais agradáveis e eu querendo muito ir pra casa curtir a festinha, mas também não querendo desperdiçar a oportunidade econômica. Então trabalhei até a 1:30 e me mandei. Cheguei em casa quase uma hora depois e o pessoal tava aqui e tal, até meio parados e tal. Na real tava só alguns dos moradores da casa mesmo: Chico, Lelê, Marcelo e Giovani. Cheguei... Baixa uma Leffe, baixa uma Stella, baixa o violão... E qual o resultado? Ficamos até as 6 horas da manhã bebendo, tocando violão e cantando alucinadamente. E então isso ocoreu por uma última e derradeira vez nessa casa. Quem lê meus e-mails sabe que fizemos isso inúmeras vezes ao longo do tempo que estou aqui. E como foi bom. Daí de repente os guris foram indo embora e a casa começou a ficar vazia, moradores novos e tal. Então nesse domingo, despedida do Chico, com certeza pela última vez, ao menos nessa casa, entoei todo aquele repertório que toco há uns bons anos e que vocês no Brasil provavelmente já tiveram a chance - prazer ou desprazer? - de escutar. Anexei algumas fotos para ilustrar a situação. A diferença é que sempre costumava ter mais gente em nossas rodas de violão. Mas o que interessa é qualidade e não quantidade.

A última roda de violão aqui em casa.


Fui dormir pelas 6 da manhã, depois de ter pedalado mais de 30 horas nos 3 dias anteriores, e às 10h já tava acordado. O Chico tinha que levar suas malas para a casa de uns parentes, numa cidade satélite de Londres, onde ia deixá-las enquanto viaja. Então ajudei a mala do Chico carregando uma de suas malas até Victoria Train Station, onde ele precisava pegar o trem. Na volta pra casa eu poderia pegar o metrô, mas me lembrei que havia uma linha de ônibus - número 52 - que fazia o percurso Victoria/Willesden Green (o meu bairro), a qual eu nunca havia pego e cujo trajeto passava por lugares muito bonitos. Era meio-dia de um dia lindo; uma segunda-feira, que por ser feriado, lembrava um grande domingão de sol. Peguei o ônibus. Que maravilha! Grande sensação, um álbum de imagens lindas para os olhos e um banho de mar para alma. Fui ouvindo o meu Miles Davis novinho - e excelente - enquanto o ônibus rasgava Knightsbridge, costeava todo Hyde Park e Kensington Gardens até chegar em Kensington e rumar a Notting Hill, passando por Ladbroke Grove e seguindo depois rumo ao norte até chegar no meu bairro. Se tenho dicas para quem vem a Londres, essa é uma delas: sentar no segundo andar do 52 e fazer o trajeto Victoria - Ladbroke Grove (ou vice-versa), de preferência num dia bonito, e só curtir as imagens, a arquitetura da cidade, a natureza e beleza dos parques, a vivacidade da cidade.
Cidade essa que já começa aos poucos a me dar nostalgia. Um dia depois o Chico tomou o rumo de Portugal e eu fiquei aqui, mas apenas por mais 10 dias. Depois de meses de companhia e parceria de todos esses personagens que citei ao longo dos tempos - André, Marcus, Chico, Lelo, Biri, Rafa -, agora sou eu e eu aqui. Mas não que isso me aborreça. Ironicamente, tem acontecido tanta coisa boa para mim nos últimos tempos que estou curtindo muito Londres. A sensação de missão cumprida começa a chegar e brincar com os sentimentos. Mas ainda tenho mais uma semana de trabalho, ainda restam alguns quilômetros a pedalar.

Novo time de riders brasileiros e um click em Southbank


E para acabar este boletim, é com muita emoção que informo a vocês que já tenho data de retorno para o Brasil. Invado a 41.ª semana para lhes contar que ontem finalmente troquei a data da minha passagem - que estava inicialmente marcada para dia 12 de março por puros motivos burocráticos de obtenção de visto - para o dia 9 de julho, chegando ao Salgado Filho dia 10 de julho pela manhã, uma segunda-feira. E então era isso. Fico por aqui e deixo vocês com algumas fotinhos e com meu grande abraço, que cada vez é mais apertado e carregado de saudade,

Thomas